O(s) Guarani(s) e a ‘um lar para Peri e Ceci’

Por Mr Jesse de Jesus

Pode ser apenas COINCIDÊNCIA, mera coincidência, acaso!

Entretanto, como eu não creio em coincidências e acasos, prefiro ver por outro prisma. Certamente ‘levando as brasas para minha sardinha’.

Duas grandes iniciativas de grande, diria sem exagero: imensuráveis, para a cultura em Teresópolis (meu berço) estão se materializando e serão acessíveis em breve.

Uma trata-se da Casa do Paquequer – equipamento público voltado à literatura e inspirada na obra de José de Alencar: O Guarani. A outra é a restauração do Quiosque das Lendas, outro importante monumento arquitetônico.

Imóvel que abrigará a futura Casa do Paquequer passa por adequações que a transformará em espaço dedicado à literatura brasileira. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

 

“E o Kiko?” (Gíria para: o que tenho eu haver com isso?)

No ano de 2022 participei de um fomento cultural em Teresópolis-RJ, no qual logrei êxito na classificação para a produção literária. Produzi então o Livro O Guarani SOBRE-VIVENTES, onde narro sobre a “tragédia de 2011” com as personagens criadas por José Martiniano de Alencar, vivenciando esse momento contemporâneo.

Para prefaciar o livro, arrisquei convidar uma sumidade no assunto. Jornalista de grande conhecimento das obras ‘martinianas’, escritor de grande biblioteca, pesquisador e historiador, e já havia sido secretário de cultura municipal – Wanderley Peres. E não é que deu certo!

O próprio Peres já havia projetado um resgate histórico da obra O Guarani e do seu autor José de Alencar que se daria com a construção de um Memorial José de Alencar. Mas, por questões políticas, não frutificou. O meu convite ao Peres é narrado por ele no prefácio assim:

Passados dez anos dessa gostosa elucubração, sonho que um dia pode ainda ser realizado, o escritor teresopolitano Mr Jesse de Jesus, que nasceu nas proximidades de Agriões e Corta Vento, em Teresópolis, mesmo ponto da cidade onde resolvi fincar morada 40 anos atrás, me pede o autor que prefacie “O Guarani SOBREVIVENTES”, livro que remete justamente a essa comparação das tragédias: a imaginada pelo escritor tanto tempo atrás e a que vivemos recentemente.

Peres ainda no prefácio destaca a importância do meu livro e fala na ‘CASA DO PAQUEQUER’. Assim descreve:

Além de lembrar essa relação da nossa cidade com o romance, fato que tantos ignoram ou não dão importância a ele, “O Guarani, Sobre-Viventes”, de Mr Jesse de Jesus, permite a revisita dos primitivos habitantes da nossa região, dando-nos memória daqueles personagens que viveram a catástrofe ocorrida nos primeiros anos de 1600, quando as águas atingiram em cheio os moradores da “Casa do Paquequer”, história que Alencar contou em 1857 e se repetiu em tragédia, no ano de 2011, lembranças recentes que ainda povoam as mentes dos moradores da cidade que surgiu na Serra dos Órgãos, onde desliza um fio d’água que se dirige ao norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal”.

O Guarani SOBRE-VIVENTES foi lançado em janeiro de 2024 e em janeiro de 2025, Peres retorna ao comando da Secretaria de Cultura de Teresópolis. Em conversa que travamos em seu gabinete, ele me apresentou quatro grandes projetos culturais de sua pasta para a gestão municipal. Dentre elas a ‘Casa José de Alencar’ que passou a ser ‘Casa do Paquequer’.

Não tenho dúvidas que o prefacio no meu livro reacendeu o sonho (nosso) de materializar a justa homenagem a José de Alencar e suas personagens e mais que isso, valorizar Teresópolis como cenário inquestionável do que é tido pela crítica um dos mais importantes romances brasileiros de todos os tempos. Peres previa o monumento e narra assim parte da conversa que teve com o Ex-ministro de Meio Ambiente e deputado estadual, o então secretário Carlos Minc:

Convencionamos que o melhor local para a instalação seria o encontro dos rios Príncipe e Paquequer, próximo à Cascata do Imbuí. “Vamos construir esse monumento ao Guarani nas margens do rio, e será no parque fluvial do Paquequer. Precisamos tributar ao escritor José de Alencar a homenagem proposta pela secretaria de Cultura de Teresópolis e que a serpente de água que ele descreveu em seu livro nos ajude a entender melhor as vontades da natureza e obrigue o teresopolitano a um melhor convívio com o seu poético rio”. Ponto turístico da cidade, o local é bem apropriado porque grande área de terras havia sido devolvida ao ambiente natural depois que diversas construções às suas margens foram levadas pelas águas, permitindo a criação de uma praça, que poderia ser o ponto de chegada de um calçadão às margens do curso d’água desde o seu encontro com o riacho Quebra Frascos, quem sabe ilustrado esse caminho, às margens da estrada José Gomes da Costa, com espécies de árvores citadas no Guarani.

Independente de ‘créditos, citações ou menções’ (embora faço jus – risos) sinto-me gratificado por, em certa medida, participar dessa história e por ter acertado no alvo, a melhor escolha do ilustre Wanderley Peres para colaborar com minha obra literária, também homenagem (de minha parte) a José Martiniano de Alencar e suas personagens que povoaram minha infante mente.

No que diz respeito ao Quiosque das Lendas é que promovi o primeiro lançamento lá. Isso foi possível com a intervenção do amigo, jornalista brasiliense Fernando Fidelis, que através de sua rede de amigos (políticos), viabilizou o evento de lançamento com o apoio da Prefeitura Municipal.

Mirante da Granja Guarani

 

A ideia de lançar o livro no Quiosque das Lendas intuía chamar a atenção do poder público e da sociedade, quanto ao estado lastimável que se encontrava o Quiosque, que tem relevante importância histórica, cultural, arquitetônica e turística para a cidade. O evento associado a algumas publicações midiáticas, em alguma medida fomentaram ou reacenderam as discussões a respeito. Por esse prisma, fica evidente que ‘as gotas’ das minhas ações, ajudaram a ‘encher o copo’.

Acima me referi ao primeiro lançamento, pois esse foi seguido de um segundo no terceiro distrito – no Museu Francisco Lippi, Venda Nova – região onde tenho laços familiares (minha raiz) e onde o romance que escrevi se encerra. E um terceiro lançamento em Brasília-DF, na 39ª edição da Feira do Livro, no qual pude apresentar a sociedade brasiliense a implantação do projeto ‘Casa do Paquequer’, de autoria de Wandeley Peres.

No seu prefácio em O Guarani SOBRE-VIVENTES, Peres encerra assim:

[…] daí a importância de textos, como o de Mr Jesse de Jesus, que relembram a importância do curso d’água, não simplesmente por ser um rio, o que já bastaria, mas também pela sua relação com a literatura nacional que tanto deveríamos prezar.

Baseio-me nesta declaração de Peres parafraseando: ‘Daí a importância de ações, como a de Wanderley Peres, que relembram a importância de José de Alencar, não simplesmente por ser um romancista brasileiro, o que já bastaria, mas também pela sua relação com Teresópolis que tanto deveríamos prezar.’

Como informo alhures: não creio em coincidências nem em acasos.

Agora fico na expectativa de que minha outra obra literária sobre Teresópolis – TERÊ TEM TREM. Teresópolis nos trilhos. Da estação lembrança para a estação futuro –  inspire ‘alguéns’ sobre o modal ferroviário e o progresso do município.

Sou teresopolitano ‘acima de tudo, sonhador.