Pesquisa com milhares de famílias no Reino Unido indica que animais de estimação estão associados ao aumento da satisfação com a vida e benefícios para a saúde física e mental

Quem divide a rotina com um cachorro ou gato costuma dizer que os animais transformam o dia a dia. Agora, um estudo realizado por pesquisadores no Reino Unido reforça essa percepção ao apontar que a convivência com pets pode proporcionar ganhos de bem-estar comparáveis aos obtidos em relações próximas com amigos e familiares.
A pesquisa analisou dados do Estudo Longitudinal de Famílias do Reino Unido, que acompanha cerca de 40 mil famílias desde 2009. Para a análise, os pesquisadores avaliaram informações de 2.617 domicílios, considerando fatores como personalidade, presença de animais de estimação e indicadores de satisfação com a vida.
Os resultados chamaram a atenção. Segundo o levantamento, ter um pet foi associado a um ganho de bem-estar equivalente a até 70 mil libras esterlinas por ano. Na prática, o impacto observado foi semelhante ao benefício proporcionado por encontros frequentes com amigos e familiares. Em uma escala de satisfação com a vida de 1 a 7, os tutores registraram aumento entre 3 e 4 pontos.
Os pesquisadores destacam que os benefícios vão além da companhia. Diversos estudos já apontam que o convívio com animais pode contribuir para reduzir os níveis de estresse e ansiedade, aliviar a sensação de solidão e fortalecer o senso de propósito.
Um relatório da Universidade da Califórnia (UC Davis Health) também relaciona a convivência com animais à melhora da saúde cardiovascular, à redução da pressão arterial e ao incentivo à prática de atividades físicas, especialmente entre tutores de cães, que tendem a caminhar com mais frequência e ampliar a interação social durante os passeios.
Para a psicóloga Patrícia Cabral, do Hospital Israelita Albert Einstein, os benefícios existem, mas variam conforme a relação construída entre tutor e animal.
“O convívio com animais de estimação pode trazer esses benefícios, mas eles dependem da qualidade da relação, do momento de vida da pessoa, das condições de cuidado e do significado que o animal ocupa na rotina de cada indivíduo”, explica.
Benefícios para crianças, idosos e pessoas com TEA
O estudo também destaca que alguns grupos podem se beneficiar ainda mais da convivência com animais. Entre as crianças, os pets ajudam no desenvolvimento da empatia, da responsabilidade e das habilidades sociais.
Já pessoas com ansiedade e depressão podem apresentar redução dos sintomas, menor sensação de isolamento e maior apoio emocional.
Segundo o pesquisador Francisco Giugliano de Souza Cabral, do Laboratório de Etologia, Desenvolvimento e Interações Sociais da Universidade de São Paulo (USP), crianças e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) também podem apresentar ganhos importantes.
“A interação com animais, especialmente cães, pode contribuir para a melhora da autoestima, da postura corporal e para a redução de comportamentos repetitivos durante terapias assistidas por animais”, afirma.
Entre idosos que vivem em instituições de longa permanência, a presença de animais também favorece a socialização, estimula memórias e melhora o ambiente coletivo.
Convivência exige responsabilidade
Apesar dos benefícios, especialistas alertam que os animais não substituem tratamentos médicos ou psicológicos e devem ser vistos como aliados na promoção da saúde e do bem-estar.
Além disso, a relação precisa ser saudável para ambos os lados. Manter a vacinação em dia, realizar acompanhamento veterinário e respeitar os limites do animal são cuidados essenciais.
A psicóloga Patrícia Cabral ressalta que práticas como forçar abraços, expor o pet a excesso de barulho ou desrespeitar seus momentos de descanso podem provocar estresse e comprometer o bem-estar do próprio animal.
Para os especialistas, o segredo está no equilíbrio: quando há respeito, cuidado e vínculo afetivo, a convivência tende a trazer benefícios tanto para os tutores quanto para os animais.





