Terapia ajuda a reduzir riscos de AVC, síndrome torácica aguda e outras complicações causadas pela doença
A anemia falciforme faz parte da minha vida desde o nascimento. Mas há 15 anos, um procedimento médico passou a integrar minha rotina mensal e se tornou essencial para preservar minha saúde e evitar novas complicações graves: a exsanguíneotransfusão parcial, conhecida popularmente apenas como “exsanguínea”.
O tratamento começou após um dos momentos mais difíceis da minha vida: um AVC hemorrágico sofrido aos 30 anos de idade em decorrência da anemia falciforme.
Desde então, realizo a exsanguínea uma vez por mês como parte do tratamento contínuo para reduzir os riscos de novos eventos neurológicos e outras complicações causadas pela doença.
A exsanguínea é um procedimento terapêutico que remove parte das hemácias doentes do paciente com anemia falciforme e as substitui por sangue saudável de doadores compatíveis. O objetivo é diminuir a concentração da hemoglobina S (HbS), responsável pelas alterações das células falciformes, reduzindo a viscosidade do sangue e melhorando a circulação.

O procedimento é considerado fundamental no tratamento de complicações graves da doença, especialmente em casos de:
• Acidente Vascular Encefálico (AVE);
• Síndrome Torácica Aguda;
• Crises vasoclusivas graves;
• Preparação para cirurgias de médio e grande porte.
No Brasil, a modalidade manual é a mais utilizada. Durante o processo, uma quantidade do sangue do paciente é retirada enquanto concentrados de hemácias compatíveis são transfundidos de forma simultânea ou sequencial.
A principal meta médica é manter a hemoglobina S em níveis seguros, geralmente abaixo de 30% a 40%, sem aumentar excessivamente a hemoglobina total.
Apesar de extremamente eficaz, a exsanguínea exige acompanhamento rigoroso devido a riscos como sobrecarga de ferro, aloimunização e dificuldades relacionadas ao acesso venoso, principalmente em pacientes que realizam o procedimento há muitos anos.
Ao longo dessa caminhada, a exsanguínea deixou de ser apenas um procedimento hospitalar. Ela passou a representar sobrevivência, resistência e a possibilidade de continuar vivendo com mais segurança.
Muita gente ainda desconhece a realidade da anemia falciforme e os tratamentos necessários para controlar suas complicações. Falar sobre esse tema também é uma forma de conscientizar, informar e dar visibilidade aos milhares de pacientes que convivem diariamente com a doença.




