Expansão dos restaurantes comunitários e das escolas cívico-militares está entre os compromissos entregues, enquanto saúde, mobilidade e habitação concentram as principais pendências.

A gestão de Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (PP) cumpriu integralmente cinco das 16 promessas apresentadas durante a campanha ao Governo do Distrito Federal em 2022. O levantamento, divulgado pelo site G1, nesta quarta-feira (22), considera o período entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026, equivalente aos três primeiros anos e meio do mandato.
Nesse intervalo, três compromissos foram executados parcialmente e outros oito permanecem sem cumprimento.
Ibaneis deixou o comando do Palácio do Buriti em abril deste ano para disputar uma vaga no Senado, mas desistiu da candidatura. Desde então, Celina Leão assumiu o governo e é pré-candidata à reeleição.
Cinco promessas foram cumpridas
Entre os compromissos concluídos estão a ampliação da rede de restaurantes comunitários, o aumento do número de escolas cívico-militares, a criação do Programa Órfãos do Feminicídio, a entrega de novos reservatórios de água para reforçar o abastecimento da região norte do Distrito Federal e a recomposição salarial dos servidores públicos.
Educação supera meta das escolas cívico-militares
Na educação, a principal meta cumprida foi a expansão das escolas de gestão compartilhada entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública.
A promessa previa chegar a 40 unidades até o fim de 2026. Segundo a Secretaria de Educação, a rede alcançou 42 escolas, superando a meta estabelecida durante a campanha.
Já o compromisso de ampliar as vagas da rede pública por meio da construção de novas escolas foi parcialmente executado. Das regiões citadas no plano de governo, apenas o Itapoã recebeu duas novas unidades. Outras escolas foram entregues no Jardim Botânico, Samambaia e Ceilândia, localidades que não estavam previstas na promessa.
Restaurantes comunitários ampliam atendimento
Outra promessa concluída foi a expansão da rede de restaurantes comunitários.
O Distrito Federal passou de 14 para 18 unidades em funcionamento com a inauguração dos equipamentos de Samambaia Expansão, Sol Nascente/Pôr do Sol, Arniqueira e Varjão.
Na área social, o governo também implantou o Programa Órfãos do Feminicídio, destinado ao acompanhamento de crianças e adolescentes que perderam a mãe em decorrência desse tipo de crime. A iniciativa prevê assistência social e auxílio financeiro aos beneficiários que atendam aos critérios estabelecidos.
Filas nos Cras mudam de formato
A promessa de acabar com as filas nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) foi considerada parcialmente cumprida.
O governo implantou o agendamento de atendimentos pela internet e pelo telefone 156, eliminando as filas presenciais. Apesar disso, usuários continuam relatando demora para conseguir vagas e atualizar informações cadastrais, com espera que pode durar semanas ou meses.
Saúde concentra uma das principais pendências
A ampliação da rede pública de saúde não saiu do papel conforme previsto na campanha.
O plano previa a construção de 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e três hospitais regionais. No período analisado, apenas uma UBS foi inaugurada, a UBS 5 da Chapadinha, em Brazlândia.
Segundo o governo, contratos para a construção de sete novas UPAs foram assinados em 2025, sendo que seis unidades já estão em obras.
Casas da Mulher não foram entregues
Outra promessa que permaneceu pendente foi a construção de quatro novas Casas da Mulher.
Durante o mandato, o governo inaugurou quatro Centros de Referência da Mulher Brasileira, que oferecem atendimento psicossocial, mas não possuem a estrutura prevista para as Casas da Mulher, como delegacia especializada e alojamento temporário.
Ao fim do período analisado, apenas a unidade de Ceilândia permanecia em funcionamento.
Mobilidade segue em fase de estudos
As propostas para ampliar o sistema metroviário e conceder a operação do Metrô à iniciativa privada não avançaram além da etapa de planejamento.
Também não foram entregues ciclovias, passarelas nem a ampliação do sistema de bicicletas compartilhadas na Rodoviária do Plano Piloto, apesar da realização de estudos e audiências públicas.
Habitação e regularização ficam abaixo da meta
Na área habitacional, a criação de novos bairros foi considerada parcialmente cumprida. Dos dez projetos previstos no plano de governo, apenas três registraram avanços efetivos.
Também não foi cumprida a promessa de construir 40 mil moradias e regularizar 150 mil unidades habitacionais.
Segundo dados do governo, foram entregues 13,8 mil moradias desde 2019 e regularizadas 8,1 mil unidades desde 2023, números inferiores às metas estabelecidas para o mandato.
A regularização fundiária do Assentamento 26 de Setembro também não entrou na lista de promessas cumpridas, já que a criação da região administrativa ocorreu após o período considerado pelo levantamento.
Meta ambiental não foi alcançada
O compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2025 também não foi cumprido.
De acordo com o levantamento, o governo não publicou relatórios que comprovassem o avanço da política de neutralização de carbono. Dados do Observatório do Clima indicam que, em 2024, a redução das emissões era de 15,2% em relação a 2013, abaixo da meta prevista.





