A interferência de portarias ministeriais e orientações jurisprudenciais na autonomia, organização e representatividade sindical foram temas abordados no Simpósio Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, realizado nos dias 27 e 28 de maio, em Piracicaba (SP). Na ocasião, cerca de 180 pessoas, entre dirigentes e advogados de sindicatos dos trabalhadores da categoria da Alimentação votaram pelo fim da Orientação Jurisprudencial 419, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que define o enquadramento sindical dos trabalhadores da agroindústria na categoria rural e não mais industriária. O evento foi promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins), em parceria com a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (Fetiasp).Representantes de sindicatos, federações e confederação deverão recorrer aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para pedir o reconhecimento de base. O Brasil possui atualmente cerca de 1,6 milhão de trabalhadores nas indústrias de Alimentação. Os principais Estados em número de trabalhadores são: São Paulo (409 mil), Minas Gerais (162 mil), Paraná (161 mil) e Rio Grande do Sul (134 mil).
Na ocasião, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), desembargador Flavio Allegretti de Campos Cooper, proferiu uma palestra com o tema Problemas do Direito Coletivo, onde abordou diferentes interpretações do enquadramento sindical dos agroindustriários na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Lei do Trabalhador Rural.
“Na verdade, a interpretação dada pelo TST na elaboração da OJ 419 é equivocada e esse simpósio, muito responsavelmente, procurou conduzir aos juízes e ministros do TST uma resolução no sentido de que façam uma revisão consciente dessa OJ para mudar e aplicar exatamente o conceito legal e social da lei de enquadramento dos trabalhadores na organização mais favorável, que é o princípio de justiça e, principalmente, o princípio de justiça do trabalho.”, declarou o advogado, especialista em Direito Sindical, autor de sete títulos sobre o tema.
“A OJ 419 retira nossa representação, passando a representação dos trabalhadores de frigoríficos, sucos ou usinas de açúcar, por exemplo, para a categoria dos rurais. Perdemos com isso, só no Estado de São Paulo, mais de 150 mil trabalhadores. Nossa briga não é com os sindicatos rurais, mas com a OJ 419 que dá a eles essa representação e isso com certeza os trabalhadores não irão aceitar.”, afirma.
Expositor no evento, Antonio Augusto de Queiróz, analista político e membro do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), fez um panorama das atividades parlamentares e destacou projetos que ameaçam o interesse dos trabalhadores no Congresso. Segundo ele, a bancada trabalhista ainda é minoria e requer maior participação do movimento sindical. Segundo ele, alguns dos projetos que tem preocupado os trabalhadores estão ligados às relações do trabalho e à organização sindical, como o projeto da Terceirização, do Simples Trabalhista, e demais projetos que tratam da prevalência do negociado sobre o legislado.https://www.youtube.com/watch?v=NyaOvHDpzKY&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=Uhvcxwrtk-M
http://youtu.be/iHBO1_5r-20







