Pablo Quirno afirmou que o governo argentino manterá o diálogo com o Brasil, apesar da redução no nível das relações entre os dois países

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou, nesta quarta-feira (5/8), que espera uma “mudança de direção ideológica” no Brasil após as eleições presidenciais deste ano. A declaração foi feita durante entrevista coletiva, em meio ao impasse diplomático entre os dois países.
Segundo o chanceler, a expectativa por uma mudança política já havia sido manifestada pelo presidente argentino, Javier Milei. Apesar das divergências, Quirno disse que o governo argentino não pretende responder diplomaticamente à decisão do Brasil de reduzir o nível da representação bilateral.
“A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil. Acreditamos que esse não seja o caminho. Estamos sempre dispostos a manter as relações”, afirmou.
O ministro acrescentou que a postura da Argentina será manter o diálogo independentemente das medidas adotadas pelo governo brasileiro.
“O Brasil tem todo o direito de tomar as decisões que entender. Nós continuaremos mantendo as relações no nível que o Brasil decidir. Ou seja, para brigar, são necessários dois. Não contem com a Argentina para isso”, declarou.
Relações diplomáticas
As declarações ocorrem após o governo brasileiro decidir rebaixar o nível da representação diplomática com a Argentina e solicitar o retorno do embaixador do Brasil em Buenos Aires.
Quirno afirmou que o Brasil também enfrenta impasses diplomáticos com outros países da região, como o Paraguai, e avaliou que o atual cenário não se restringe à relação bilateral entre Brasília e Buenos Aires.
Nota do governo argentino
Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina lamentou a decisão do governo brasileiro e afirmou que o Brasil estaria optando por “continuar se isolando do restante da região” por motivos ideológicos.
O comunicado também destacou que, nos últimos anos, declarações políticas entre lideranças dos dois países não foram transformadas pela Argentina em incidentes diplomáticos.
“Nos últimos anos, houve inúmeras declarações políticas cruzadas e apoios entre líderes de ambos os países. Em todos esses casos, sem exceção, a Argentina optou por não transformá-los em um incidente diplomático”, informou o ministério.




