Cardiologista do CEUB explica sinais de alerta, importância da avaliação médica e o que fazer diante de uma parada cardiorrespiratória durante atividades físicas

A morte da empresária e triatleta Rachel Furtado, de 46 anos, após sofrer um mal súbito enquanto praticava atividade física no Parque da Cidade, em Brasília, no último sábado (12/9), chama atenção para os cuidados necessários durante a prática esportiva.
Apesar de a atividade física regular estar associada a uma vida mais saudável, pessoas fisicamente ativas não estão completamente protegidas contra problemas cardiovasculares. Em determinadas situações, o próprio esforço pode desencadear complicações em quem apresenta alguma condição cardíaca.
Para o professor de medicina e especialista em cardiologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Luciano Janussi Vacanti, o acompanhamento médico é uma das principais medidas de prevenção, especialmente para quem pratica exercícios de maior intensidade.
“As causas variam de acordo com a idade. Nos mais jovens, destacam-se cardiomiopatias, como a hipertrófica e a arritmogênica, além de doenças elétricas hereditárias, como a síndrome do QT longo e a síndrome de Brugada”, explica.
Já entre adultos com mais de 35 anos, segundo o cardiologista, a doença arterial coronariana ganha maior relevância. A condição pode provocar isquemia, infarto e arritmias ventriculares durante o esforço.
Quando o corpo dá sinais
Durante um exercício, é esperado que a frequência cardíaca aumente e que a pessoa sinta cansaço. O problema está quando surgem sintomas que fogem do padrão esperado para aquele esforço.
Dor no peito, falta de ar desproporcional à intensidade do exercício, tontura, sensação de desmaio, perda de consciência e palpitações acompanhadas de outros sintomas são sinais que merecem atenção.
“Mal-estar intenso, sudorese fria, palidez ou náuseas associados ao esforço também são sinais de alerta”, afirma Vacanti.
A orientação é interromper imediatamente a atividade diante de sintomas anormais. Mesmo que o desconforto desapareça após o exercício ser interrompido, o episódio não deve ser ignorado.
“Se o sintoma desaparece após interromper o exercício, mas foi significativo, especialmente nos casos de síncope, dor torácica ou palpitação sintomática, a pessoa não deve simplesmente voltar ao treino sem uma avaliação médica”, orienta o especialista.
Em situações de dor no peito persistente, falta de ar importante, perda de consciência, instabilidade ou suspeita de um evento cardiovascular agudo, a recomendação é acionar imediatamente o serviço de emergência.
Avaliação deve considerar cada pessoa
O acompanhamento médico não precisa ser igual para todos. De acordo com o cardiologista, a necessidade de exames depende de fatores como idade, intensidade do exercício pretendido, sintomas, histórico pessoal e fatores de risco.
Pessoas mais velhas que pretendem começar ou intensificar exercícios vigorosos devem receber atenção especial, já que a doença coronariana se torna mais relevante nessa faixa etária.
Isso, porém, não significa que qualquer pessoa precise passar por uma extensa bateria de exames antes de caminhar ou fazer uma atividade leve.
“A avaliação deve ser individualizada conforme idade, intensidade pretendida, sintomas, antecedentes e fatores de risco”, explica Vacanti.
O que fazer diante de uma parada cardíaca
Em uma parada cardiorrespiratória, os primeiros minutos podem ser decisivos. A primeira medida é verificar se a pessoa responde. Caso esteja inconsciente e sem sinais de respiração normal, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deve ser acionado imediatamente pelo 192.
Enquanto o atendimento especializado não chega, devem ser iniciadas as compressões torácicas. Elas precisam ser feitas no centro do peito, de maneira forte e rápida, permitindo que o tórax retorne completamente após cada compressão e evitando interrupções desnecessárias.
Para socorristas treinados, a orientação é realizar 30 compressões para duas ventilações.
Se houver um Desfibrilador Externo Automático (DEA) disponível, o equipamento deve ser utilizado conforme as instruções fornecidas. Durante uma eventual descarga elétrica, ninguém deve tocar na vítima. Depois do choque, as compressões devem ser retomadas imediatamente, seguindo as orientações do aparelho.
“A RCP e o uso do DEA devem continuar até que a pessoa apresente sinais de vida ou até que a equipe de emergência assuma o atendimento”, afirma o cardiologista.
No caso de Rachel Furtado, segundo as informações divulgadas, houve tentativas de reanimação e utilização de desfibrilador. A atleta chegou a recuperar o pulso, mas sofreu uma nova parada cardiorrespiratória durante o deslocamento para o hospital.
O episódio reforça a importância de reconhecer rapidamente uma parada cardíaca, acionar o socorro e iniciar as manobras de reanimação o quanto antes.



