Três pessoas foram presas durante a Operação Estatuto, e outras três são procuradas. Segundo a PCDF, grupo investigado teria ligação com a facção Comboio do Cão e é suspeito de envolvimento em sete crimes violentos.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um grupo suspeito de envolvimento em uma série de homicídios e agressões na região do Capão Comprido, em São Sebastião. De acordo com as apurações da 30ª Delegacia de Polícia, os investigados teriam ligação com a facção criminosa Comboio do Cão e são suspeitos de estabelecer regras próprias na comunidade, aplicando punições violentas contra pessoas que supostamente descumpriam suas determinações.
A investigação faz parte da Operação Estatuto, que resultou na prisão de três suspeitos. Outros três investigados estão foragidos, incluindo um homem apontado pela polícia como integrante da liderança do grupo.
Segundo a PCDF, as vítimas seriam submetidas a um chamado “tribunal paralelo” por motivos como dívidas relacionadas a drogas, suspeitas de furtos de entorpecentes e reclamações sobre a quantidade ou a qualidade das substâncias comercializadas. As punições relatadas incluem espancamentos e execuções.
Ainda conforme a investigação, algumas agressões eram gravadas e divulgadas nas redes sociais, supostamente com o objetivo de intimidar moradores e consumidores de drogas da região.
Três suspeitos foram presos e outros são procurados
Entre os presos está o homem apontado como líder da organização investigada. Ele foi capturado em 15 de outubro, no Itapoã, e possuía mandados de prisão temporária por homicídio qualificado e de prisão definitiva por tráfico de drogas.
Outro detido é suspeito de organizar as sessões de espancamento e também é investigado por participação em um dos homicídios. A terceira pessoa presa é a única mulher apontada pela polícia como integrante do grupo.
A PCDF procura outros três suspeitos: Jamielson Costa, conhecido como “Parazinho”; Vitor Rodrigues de Souza, chamado de “Diamantão”; e Osnairdson da Silva Pinheiro, conhecido como “Maxixe”. Segundo a investigação, um deles é apontado como o segundo na hierarquia da organização.
A polícia solicita que qualquer informação que possa ajudar a localizar os procurados seja repassada pelos canais oficiais de denúncia.
Sete crimes violentos estão no foco da investigação
A apuração reúne sete ocorrências registradas entre o fim de setembro e outubro, envolvendo homicídios e uma tentativa de assassinato.
O primeiro caso ocorreu em 24 de setembro, quando uma mulher de 30 anos foi morta a tiros. Conforme a linha investigativa, ela teria subtraído aproximadamente um quilo de maconha pertencente ao grupo. Jamielson Costa, o “Parazinho”, é apontado como suspeito de efetuar os disparos.
Em 26 de setembro, um jovem de 20 anos, acusado de furtar drogas, teria sido agredido com pauladas nas mãos. A violência foi filmada e divulgada, segundo a polícia, como forma de advertência. Posteriormente, o rapaz foi morto a tiros.
No dia seguinte, 27 de setembro, outro homem foi assassinado com 12 disparos. A hipótese investigada é que o crime tenha sido motivado por uma reclamação sobre a quantidade de cocaína vendida. O homem apontado como líder do grupo é investigado por possível participação nesse homicídio.
Em 4 de outubro, um homem foi morto dentro de um barraco. De acordo com as informações reunidas pela polícia, os atiradores teriam como alvo outra pessoa ligada ao grupo, mas acabaram atingindo a vítima.
Outro homicídio foi registrado em 11 de outubro. A principal hipótese é de que o crime tenha relação com uma desavença antiga.
No dia 12 de outubro, o irmão de um homem apontado como integrante da liderança da organização foi atingido por quatro tiros, mas sobreviveu. A ocorrência é investigada como tentativa de homicídio.
Já em 14 de outubro, um adolescente foi morto a tiros durante o dia. As circunstâncias e a motivação do crime permanecem sob investigação.
A polícia busca esclarecer a participação individual dos suspeitos em cada ocorrência e identificar possíveis outras pessoas envolvidas.
Operações também combatem o tráfico na região
Paralelamente à investigação dos crimes violentos, a 30ª DP realizou ações para combater o tráfico de drogas no Capão Comprido.
Em 16 de outubro, policiais da Seção de Repressão às Drogas prenderam dois homens, de 30 e 40 anos, em imóveis localizados nos fundos do campo de futebol conhecido como Chuteirão. Antes da operação, os agentes abordaram dois consumidores que deixavam o local com pedras de crack.
Durante as buscas, foram apreendendidas porções de maconha, cocaína e crack, além de balança de precisão, embalagens utilizadas para acondicionar drogas, quatro câmeras de vigilância, cinco celulares, dinheiro trocado e um simulacro de pistola. Os dois suspeitos foram autuados por tráfico de drogas.
Em 19 de outubro, outros dois homens, de 27 e 20 anos, foram presos na mesma região por equipes de investigação de crimes violentos e repressão às drogas.
Segundo a corporação, um dos suspeitos tentou esconder uma bolsa com dinheiro sobre o telhado de um imóvel ao perceber a aproximação dos policiais. Durante a ação, também foram apreendidas substâncias com características de crack, cocaína, maconha e ecstasy, além de dinheiro, celulares, balança de precisão e um simulacro de arma de fogo.
Os dois homens também deverão responder por tráfico de drogas.
Polícia pede ajuda para localizar foragidos
A Operação Estatuto continua em andamento. A PCDF trabalha para localizar os três suspeitos que permanecem foragidos, aprofundar a investigação dos homicídios e apurar a possível atuação do grupo criminoso na região de São Sebastião.
Informações sobre os procurados ou sobre os crimes podem ser repassadas à Polícia Civil pelo Disque-Denúncia 197. De acordo com a corporação, a identidade dos denunciantes é preservada.
As suspeitas e responsabilidades individuais seguem sob investigação policial.








