Sedentarismo prolongado aumenta risco de morte por câncer, aponta estudo

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Pesquisa com mais de 91 mil pessoas revela que longos períodos sentado elevam o risco de mortalidade por câncer; pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença

O sedentarismo continua sendo um dos maiores desafios para a saúde pública, e novas evidências reforçam a necessidade de interromper longos períodos de inatividade ao longo do dia. Um estudo publicado na revista científica PLOS Medicine revelou que permanecer sentado por longos períodos, sem interrupções, está associado a um aumento significativo no risco de morte por câncer.

A pesquisa analisou dados de mais de 91 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados biomédicos do mundo. Durante sete dias, os voluntários utilizaram monitores de atividade física e, posteriormente, foram acompanhados por aproximadamente 12 anos.

Os resultados mostraram que cada hora adicional de comportamento sedentário prolongado está associada a um aumento de 9% no risco de morte por câncer.

Os pesquisadores classificaram os participantes em três grupos: aqueles que permaneciam sentados por períodos contínuos de pelo menos 30 minutos; pessoas que interrompiam regularmente os momentos de inatividade; e indivíduos com diferentes níveis de atividade física, caracterizados por menor tempo sedentário.

A análise revelou que o comportamento sedentário prolongado está especialmente relacionado ao aumento da mortalidade por cânceres associados à obesidade, como os de esôfago, fígado, rim, pâncreas, colorretal, mama, ovário e tireoide, além de tumores ligados ao diabetes tipo 2.

Por outro lado, interromper frequentemente os períodos sentado demonstrou efeito protetor. Segundo o estudo, substituir apenas uma hora diária de sedentarismo contínuo por atividade física leve pode reduzir em cerca de 12% o risco de morte por câncer.

Exercício regular reduz mortalidade

As conclusões reforçam resultados de outra pesquisa recente, conduzida pela Universidade de Sydney, na Austrália, que acompanhou mais de 11 mil mulheres durante 15 anos.

O estudo mostrou que mulheres que seguiram de forma consistente as recomendações de atividade física apresentaram uma taxa de mortalidade de apenas 5,3%, praticamente metade da registrada entre aquelas que permaneceram inativas, cuja incidência foi de 10,4%.

Os pesquisadores destacam que os benefícios estão associados à prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa, conforme orientam as principais diretrizes internacionais.

Embora iniciar a prática de exercícios após os 55 anos ainda proporcione ganhos para a saúde, os maiores efeitos protetores foram observados entre mulheres que mantiveram uma rotina ativa ao longo dos anos.

Caminhar rápido faz diferença

Entre as estratégias mais simples para combater o sedentarismo, caminhar em ritmo acelerado aparece como uma das mais eficazes.

Outro estudo, publicado na revista Mayo Clinic Proceedings, avaliou cerca de 475 mil pessoas e concluiu que indivíduos que caminham a aproximadamente 4,8 km/h — cerca de 100 passos por minuto — apresentam maior expectativa de vida, independentemente do índice de massa corporal (IMC).

Os pesquisadores compararam diferentes ritmos de caminhada. Pessoas que caminhavam lentamente, entre 1,6 km/h e 3,2 km/h, especialmente aquelas com baixo peso, apresentaram a menor expectativa de vida. Já os participantes que relataram caminhar em ritmo rápido tiveram os melhores indicadores de longevidade em todas as categorias de peso.

Pequenas mudanças, grandes benefícios

Os resultados das pesquisas reforçam uma mensagem importante: não basta apenas praticar exercícios algumas vezes por semana. Também é essencial reduzir o tempo passado sentado e interromper regularmente os períodos de inatividade.

Levantar-se a cada meia hora, caminhar alguns minutos, subir escadas ou realizar pequenas atividades ao longo do dia são atitudes que podem contribuir para diminuir os impactos do sedentarismo e reduzir o risco de doenças crônicas e morte precoce.

A combinação entre atividade física regular e menos tempo em comportamento sedentário representa uma das estratégias mais eficazes para promover qualidade de vida e aumentar a longevidade.